domingo, 23 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 5 de dezembro de 2014, às 19h15min!


Para colaborar financeiramente com o nosso kidush aperte no link abaixo:


Datas para Agendar:
Chanuká de 16 a 24 de dezembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Vaietsê / 5775


Dorian Grey negociou com Deus a juventude eterna no famoso romance de Oscar Wilde. Antes, Fausto, de Goethe, vende sua alma ao diabo a fim de ganhar conquistas e imortalidade. E antes ainda, no livro bíblico de Jó, é o próprio diabo que negocia com Deus a integridade de Jó.


É possível negociar com Deus? O que poderia ser oferecido a Ele uma vez que possui tudo e não tem necessidades de nenhum tipo? E qual seria o significado de semelhante ação?


Tevye, o leiteiro de Scholem Aleichem, não chega a negociar, mas quase propõe a Deus que, por pelo menos uma vez, outros povos sejam os escolhidos para que, nós, os judeus, soframos menos.
  
Várias semanas atrás, lemos a famosa negociação de Abraão com Deus em prol da salvação da cidade de Sodoma –  se Abraão achasse lá cinquenta pessoas justas, a cidade inteira seria salva da destruição que merecia por tanta corrupção e insensibilidade.

Nenhum dos casos mencionados especifica claramente o que é entregue a Deus em troca do que é obtido. Menos ainda explica-se porque Deus aceitaria a negociação (com exceção da história de Abraão, na qual a justiça estaria em jogo, a credibilidade na justiça divina, bem como a integridade, no caso de Jó).

Na parashá da semana, o patriarca Jacó negocia com Deus e oferece algo inaceitável por qualquer parceiro de negociação: “de tudo que me der, devolverei um dízimo”. Nada mais. Simplesmente um décimo do que Deus desse a Jacó seria oferecido de volta a Deus, e o restante, 90%, ficaria com Jacó!

O mais inacreditável, além da própria negociação com Deus e da oferta inaceitável de retorno de apenas um décimo, é que Deus aceita essas condições.

Uma frase talmúdica sugere que tudo poderá estar nas mãos de Deus, menos a vontade humana. A vontade seria totalmente livre ou guardaria alguma liberdade absoluta. No mínimo. Por isso, a única coisa que Deus não teria seria o controle sobre a vontade humana. Desse modo, a única coisa que o homem poderia oferecer a Deus seria sua vontade de oferecer algo. Fosse um dizimo, um cêntimo ou um milésimo de si. A quantidade, como o objeto em si, seria menos importante. O valor estaria na disposição a dar, na vontade de querer dar. Ou melhor, dar a vontade, no duplo sentido da expressão: ‘dar à vontade’ e ‘dar a vontade humana em si’.

A parashá estaria propondo que não é tão importante o que temos, e sim o que fazemos com o que temos, ou como temos o que temos. Como somos a partir do que temos. Seja a respeito de bens materiais, emocionais, sociais, físicos ou espirituais.

Que possamos valorizar o que temos e acrescentar valor ao que somos através do que fazemos com o que temos.  Se o que mais possuímos, de verdade, é a nossa vontade, que saibamos usar a liberdade de nossa vontade para querer o verdadeiramente melhor.

Rabino Ruben Sternschein

Congregação Israelita Paulista de 5 de novembro de 2013. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cabalat Shabat nesta sexta-feira, 14 de novembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Último Cabalat Shabat de 2014 em 5 de dezembro de 2014



Teremos um Cabalat Shabat emocionante, com os jovens chazanim Gabriel Kalman, Matheus Ajzenberg e Paula Bortman Rozenchan, os jovens músicos Ana Kagan (violino), Julia Kagan (violoncelo), Michel Barzilay (derbak) e Rodrigo Lukower (violoncelo), e a especial participação de Kelly Barzilay no kidush!


domingo, 9 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 14 de novembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Último Cabalat Shabat de 2014 em 5 de dezembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Chaiê Sará / 5775

 
O Rabino Ruben Sternschein observa que a parashá Chaiê Sará tem vários assuntos. De início destaca-se a questão da contagem dos anos de vida de Sará, que é adequada ao hebraico bíblico, mas torna-se incomum pela repetição dos anos, citando 100, 20 e 7; o que permitiu aos sábios desenvolverem belos midrashim. Rashi, por exemplo, diz que aos cem anos Sara tinha a força de uma jovem de vinte e aos vinte tinha a pureza de uma menina de sete anos.

Outros leem nessa repetição dos anos e das vidas uma mensagem de que existem anos em que vivemos mais do que em outros. A maior parte da vida de uma pessoa não fica registrada, e é permeada por poucos momentos plenos, sublimes, significativos. No caso de Sara, ela viveu significativamente todos os dias de sua vida, e tinha registro, lembrança e consciência de todos eles.

Em seguida ao falecimento de Sara, a Torá relata a insistência de Abraão em pagar pela gruta de Machpela para enterrar sua esposa, mesmo a um custo alto. O objetivo foi garantir o direito à terra mesmo para gerações futuras, bem como vincular as gerações futuras à terra. Também foi uma forma de honrar Sara, demonstrando o grande apreço que Abraão tinha por ela. Por outro lado, concluiu o Rabino Ruben Sternschein, se Abraão tivesse aceitado a gruta como doação, ou por um preço muito baixo, ele ficaria devedor de Efrom, por tempo indeterminado. Além disso, a autoimagem de Abraão seria desvalorizada, pois era um homem que se esforçava para conquistar tudo o que tinha.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 21 de outubro de 2013.
 
 
 
 


 
 

domingo, 2 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 14 de novembro de 2014, às 19h15min!



PARASHÁ DA SEMANA: Vaierá / 5775

O início da parashá Vaiera conta como Avraham foi visitado por três homens, que na verdade eram três anjos enviados por Deus em missão à Terra. A tarefa de um deles era confirmar a Avraham e Sarah que eles teriam um filho, apesar de sua idade avançada. A missão dos outros dois era destruir a região das cidades de Sodoma e Gomorra.
O interessante é que Deus decide compartilhar com Avraham sua decisão de destruir as cidades. Ele permite que Avraham saiba de sua decisão por considerar que nosso patriarca era homem fiel, que ensinaria a seus filhos a agir conforme as ações de Deus, para fazer tzedaká e proferir julgamentos (mishpatim).
Ao contar a Avraham qual a tarefa dos dois anjos, Deus permite o início de um diálogo no qual Avraham tenta modificar o decreto Divino caso também vivessem pessoas justas nas cidades. A 'negociação' começa com 50 pessoas, e sempre Deus concorda com Avraham. Por fim, Avraham se satisfaz em que as cidades sejam perdoadas caso se encontrem 10 justos nelas.
Um midrash compara Noach, Avraham e Moshe no seguinte sentido: Noach não seria tão justo como Avraham, pois aceitou passivamente a decisão de Deus de destruir todas a humanidade, com exceção de sua família. Avraham, por sua vez, seria menos justo do que Moshê, pois não defendeu o povo de Sodoma e Gomorra em sua integralidade, independentemente de seus pecados, como depois foi feito por Moshê diversas vezes no percurso dos hebreus pelo Sinai.
Observamos porém, que a aparente preocupação de Avraham com a população de Sodoma e Gomorra talvez também estivesse na tentativa de salvar sua família, como Noach. É possível fundamentar esta interpretação quando contamos que em Sodoma moravam Lot, sua esposa, duas filhas solteiras e pelo menos mais duas filhas casadas, seus maridos e filhos (Bereshit, 19:12, 19:14 e 19:15), o que soma ao menos dez pessoas.
Antes que as cidades fossem destruídas, Lot ainda conseguiu salvar o povo da pequena aldeia de Tsôar. Após a calamidade, e a morte da esposa de Lot, suas duas filhas virgens pensam que novamente toda a humanidade sucumbiu à ira Divina e decidem embriagá-lo e ter relações sexuais com o pai. Dessas relações nascera, Moav e Amon, que darão origem a dois povos que os hebreus encontrarão ao retornar a Canaã.
Avraham, ao ver a destruição de Sodoma e Gomorra, decide se mudar para o sul durante a gravidez de Sarah. Abrigam-se nas terras do rei Abimelech, que era um profeta temente a Deus, e segundo Suas palavras: justo e sincero. Sendo este mais um trecho da Torá que nos relata como Deus tem contato com toda a humanidade, não apenas com os hebreus.
O nascimento de Itzchak aumenta as tensões entre Sarah e Hagar e Ishmael, que é um adolescente por volta de 15 anos de idade. Nesta parashá a Torá nos relata pela última vez um ato de Sarah em vida: pedir a expulsão da escrava e do filho primogênito de Avraham para preservar a herança de seu filho.
Em Vaierá Deus pede a Avraham que se afaste de seus dois filhos. Ele promete que vai cuidar de Ishmael, e lemos que "esteve Deus com o menino" (Bereshit, 21:20). Quanto a Itzchak, Deus pede que ele lhe seja oferecido em sacrifício, mas por mais de uma vez chama o filho de Sarah como "o único filho de Avraham" (Bereshit, 22:2, 22:12 e 22:16).
Nossos sábios discutem qual seria a idade de Itzchak no episódio do sacrifício. Para alguns seria um adolescente, já que tinha capacidade de carregar um feixe de lenhas e já tinha discernimento para questionar o pai sobre quem seria sacrificado. Para outros, Itzchak já seria um home de 37 anos de idade, pois relacionam a 'akedat' à morte de Sarah, relatada logo em seguida, quando ela tinha 127 anos de idade.
Em Vaierá encontramos Deus se relacionando com a humanidade através de diálogos. Antes de castigar, Ele oferece a oportunidade de se corrigir o erro, apesar de quando castiga, ainda é com ferocidade, com total destruição. Enquanto nas primeiras parashiot de Bereshit o propósito dos castigos e destruições Divinas é meramente afastar, extirpar, o ser humano que não age de acordo com os propósitos de Deus. A partir de Vaierá é dada á humanidade a possibilidade de redimir-se - como lemos no episódio de Avimelech. Parece que Ele está avaliando os limites de sua criação, especialmente na sua relação com Avraham, como demonstra o pedido de que Ishmael seja expulso e Itzchak seja sacrificado.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 16 de novembro de 2008.
 

domingo, 19 de outubro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Mais um Cabalat Shabat especial, com o Chazan Beto Barzilay, os jovens chazanim Bianca Lederfeind, Gabriel Kalman e Matheus Ajzenberg, e prédica da Morá Miriam Markus.



PARASHÁ DA SEMANA: Noach / 5775

 
Noach é qualificado pela Torá como um "homem justo, perfeito nas suas gerações" e concluiu-se que as qualidades de um homem são sua verdadeira descendência, mais do que seus próprios filhos. Rashi explica que esta frase inicial da parashá pode ser interpretada como um elogio a Noach, pois se destacou na sua geração e assim também o seria em qualquer outra geração. Mas, continua nosso Sábio, também existem interpretações críticas, de que se Noach tivesse nascido na geração de Avraham, não seria um justo.

O texto bíblico continua relatando o arrependimento de Deus com suas criações terrestres, que seguiram caminhos abomináveis para Ele. Verifica-se que Ele perdeu o controle destes seres e, em sua insatisfação, decide destruí-los e, numa nova tentativa, reiniciar o processo de vida a partir da seleção dos melhores elementos, buscando aperfeiçoar os seres que viviam na terra.

Por que os seres que viviam na parte seca da Terra foram castigados, se a única lei que Deus havia estipulado até então era para o ser humano não comer os frutos proibidos, não havendo nenhuma regra explícita sobre a 'corrupção'? O Rabino Michel Schlesinger explicou que existem normas que são inerentes a toda a criação, que todo ser vivo conhece, chamadas de Direito Natural, e estas foram descumpridas pelos seres que não sobreviveram ao dilúvio.

Para reforçar e esclarecer estas normas, após o dilúvio, inicia-se a interação de Deus com a humanidade, começam a se desenvolver formas de comunicação, a ser aperfeiçoada uma forma pedagógica Dele ensinar a humanidade sobre Seus caminhos. Também surge a consciência de que os erros são importantes como meio de aprendizado e evolução, permitindo a própria continuidade da criação divina.

Deus então constata que os erros são etapas importantes no processo de criação - que não está completo - são passos necessários para a sequência da vida, então não é necessário destruir a criação se, ao início, ela se mostra imperfeita. Ele também erra e aprende, a mística judaica explica que também Ele cresce. Assim, cada vez que cumprimos uma mitzvá, um mandamento, estamos aperfeiçoando o Universo e o próprio Deus.

Esta interpretação teológica inevitavelmente leva ao questionamento sobre até que ponto Deus está no comando do Universo, sobre sua infalibilidade e completa perfeição. O Rabino Michel Schlesinger lembrou que a análise teológica do conceito de Deus contém inúmeras interpretações, num amplo espectro que tem nas suas extremidades, por um lado, a noção de que Deus é perfeito, onipotente e onipresente; e, por outro lado, que Ele não existe, configurando-se o ateísmo.

O Deus que encontramos na Torá, no entanto, não se adequa a nenhuma das visões extremistas. É um Deus que se surpreende com suas criaturas, às vezes positivamente, às vezes negativamente, e que também passa por processos. Se por um lado Ele sabe de tudo, quem decide o que fazer é o homem, e Ele não pode fazer nada para impedir que sua criatura aja contra Seus desígnios.

Assim, na Torá vemos Deus interferindo nos rumos da humanidade apenas quando se esgotam totalmente as possibilidades humanas de assumir as próprias responsabilidades (físicas, morais, sociais ....) por seus atos, quando o homem se torna incapaz de arcar com as consequências de seus caminhos e de corrigir seu rumo. Quando há um esgotamento moral da criação, Deus surge e interfere ativamente na história humana. Por isso, no texto da Torá, quanto mais o ser humano evolui espiritualmente e moralmente, cada vez são necessárias menos aparições explícitas de Deus.

O dilúvio relata a destruição de seres que não eram mais humanos, que haviam perdido sua essência divina, tendo se tornado animais, pois não sabiam limitar a si mesmos, controlar seus instintos. Os seres que pereceram no dilúvio não mais sabiam dizer 'não' a si mesmos, como Deus pode dizer a si próprio, como Ele fez quando prometeu não destruir novamente toda a vida terrestre de uma só vez, demonstrando acreditar na capacidade humana de superação.

Em seguida, após serem nomeados os descendentes de Noach, a Torá descreve o caso da torre construída pelos habitantes de Bavel. Foi um projeto comum dos homens, que estavam em paz entre sí, contra Deus, para ganharem fama, se aproximarem Dele e se salvar de um possível novo dilúvio. Deus 'desce' à Terra para verificar o que estava acontecendo e constata que os homens buscavam se comparar a Ele com arrogância, não através da humildade.

Este novo momento de aproximação de Deus ocorre para Ele ter certeza do que estava acontecendo, conferir os fatos, antes de tomar uma decisão, e também nos ensina que para chegar perto de Deus não é preciso construir algo físico, concreto. O castigo pela incapacidade humana de compreender Deus foi a criação das diversas línguas, o que implicou também na incapacidade de os seres humanos se compreenderem uns aos outros.

O Rabino Michel Schlesinger explicou que, numa interpretação crítica bíblica, o relato da Torre de Bavel é um mito para justificar os diversos idiomas humanos. Já a história de Noach seria um mito para explicar a origem da humanidade. De qualquer forma, a mensagem da Torá é clara: o uso da tecnologia conforme as regras Divinas - como quando foi construída a arca -, permite a sobrevivência dos homens e da natureza; mas a utilização da tecnologia sem respeito a valores morais e éticos, de um modo até reverencial e idólatra - como na Torre de Bavel e como ocorre na atualidade -, a busca de desafiar Deus comparando-se a Ele através da inteligência humana, só impede que os seres humanos compreendam-se a si mesmos, dificultando a convivência pacífica e harmoniosa da humanidade.

A parashá termina com o importante relato da decisão de Terach em levar sua família, incluindo seu filho Avram, para Canaã. O Rabino Michel Schlesinger observou que, de certa maneira, foi Terach que iniciou o caminho que possibilitou Avram ir para a Terra Prometida. Este processo do nosso primeiro patriarca não foi uma mudança tão abrupta e radical como descrito em diversos midrashim.

Foi Terach quem iniciou o processo de evolução espiritual que permitiu Avram se afastar da idolatria às 'coisas' construídas pelos seres humanos. Terach, através da educação que deu a seu filho, permitiu que Avram desenvolvesse um olhar crítico, questionador, da sua realidade. O Rabino Michel Schlesinger terminou os estudos concluindo que este processo, descrito na Torá, é adequado ao que ocorre na vida, e em consonância com o próprio processo Divino de constante aperfeiçoamento do Mundo, em parceria com o ser humano.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 14 de outubro de 2007.
 
 
 
 
 
 
 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

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CHAG SAMEACH !!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Shemini Atzeret em 16 de outubro de 2014
Simchá Torá em 17 de outubro de 2014


PARASHÁ DA SEMANA: Bereshit / 5775

 
A primeira palavra da Torá é Bereshit - 'um princípio'. Segundo a interpretação do sábio Rashi, conforme explicou Zhuvi Zitman, essa expressão indica que a criação do Mundo não seguiu uma ordem cronológica. Nesse sentido, a expressão 'dia' não se refere ao tempo como nós o conhecemos, decorrente da movimentação dos astros e planetas, que ainda não existiam. O 'dia' da Torá refere-se a um tempo imaterial, indefinível, que foi o critério utilizado por Deus para organizar o caos.
 
A primeira criação de Deus relatada pela Torá foram 'os céus', que refere-se a todo o Universo, do qual já são conhecidas por nossos cientistas dez outras galáxias. A criação da 'terra' não se refere apenas a nosso planeta, mas a todos os corpos concretos que existem em todo o Universo.
 
Interessante observar que as 'águas' não foram criadas, o que permite concluir que elas já existiam antes dessa descrição bíblica. Zhuvi Zitman  observou que as moléculas de água estão ao mesmo tempo em todos os lugares, mesmo que em quantidades ínfimas, da mesma forma que a presença Divina, cuja presença se move 'sobre a face das águas', explicando a onipresença de Deus. Dessa passagem também aprendemos que da mesma forma como a água é essencial à vida, Deus é inerente à existência dos seres vivos.
 
Em seguida, através de sua fala, Deus cria a luz. Esta luz não é a emissão energética que provém do sol, das estrelas, da lua ou de outros astros, pois eles seriam criados apenas no quarto dia. A primeira luz criada por Deus é a luz espiritual, que envolve completamente a criação, atingindo todos os seres - conforme sua capacidade de absorção - em todos os momentos da existência.
 
As águas foram dividadas em dois ambientes: nos céus e nos corpos celestes. Nestes corpos elas foram agrupadas e concentradas nos 'mares', destacando-se o 'elemento seco', nomeado 'terra'. Essa descrição explica como foi formado nosso planeta e também todos os outros sóis e planetas do Universo.
 
Com isso, estavam criadas as condições para o desenvolvimento da vida. As ervas, árvores, sementes e frutas surgem da terra. É a criação gerando criação. Esta criação será governada pelos astros criados no quarto dia: sol, lua, estrelas. A vida dependerá do calor do sol e estará submetida aos ciclos desses elementos que regulam as marés, a fotossíntese. Nosso planeta, a natureza, foram criados como parte de um sistema maior, numa cadeia de elementos que dependem dos anteriores e, no caso da Terra, da qual depende a vida que aqui existe.
 
Os répteis, as aves e os peixes - que possuem alma -, foram criados a partir das águas. As aves, em hebraico, são poeticamente chamada de 'asas', e desde o início são divididas em aves marinhas e terrestres. A primeira benção da Torá é dada por Deus a estes seres: "frutificai e multiplicai".
 
No sexto dia foram criados os demais seres terrestres, neste caso não mais a partir da água, mas 'produzidos' pela terra. Nesta primeira descrição bíblica da criação, o ser humano foi criado macho e fêmea, sem maiores detalhes, que serão explicados em seguida. A humanidade foi criada para reinar sobre os animais, e também foi abençoada. No conceito Divino, esta criação foi "muito boa".
 
Rashi explica que os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus em seus aspectos espirituais, através daquela primeira luz criada no segundo dia. Mas não somos parecidos a Ele nem na forma, nem em nossa configuração.
 
O ser humano, de um ponto de vista antropológico, necessita acreditar que há um princípio para tudo, razão pela qual a narrativa inicial da Torá é tão importante e textos semelhantes são encontrados em todas as culturas. A Torá é um livro sobre a história da humanidade, não sobre a história de Deus, é a história do ser humano de acordo com a expressão da vontade Divina.
 
Por fim, no sétimo dia, Deus criou o Shabat, para se recompor das atividades anteriores, para descansar, para apreciar a criação, demonstrando que também Ele atua em períodos cíclicos. É tradição judaica não fazermos pedidos a Deus durante o Shabat, para respeitar Seu descanso.
 
Após este descanso, Deus assoprou seu espírito no homem e criou a chuva, para possibilitar a criação ininterrupta da vida. Com isso se inícia uma nova narrativa, da história de Adam e Eva no Éden, a partir de onde vai continuar o relato bíblico que iremos estudar neste novo ciclo.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 7 de outubro de 2007.
 
 
 

domingo, 5 de outubro de 2014

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CHAG SUCOT SAMEACH !!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Sucot em 9 de outubro de 2014

SUCOT: AFINAL, OS ULTRA ORTODOXOS DEVEM IR PARA O EXÉRCITO? – UMA LEITURA SOBRE SUCOT E A DESUNIÃO DO POVO JUDEU.

Um dos debates mais “quentes” e polêmicos em Israel hoje é quanto à obrigatoriedade de todos os habitantes do país servirem o exército, em especial certos grupos de charedim [ultra ortodoxos] que, historicamente, têm uma dispensa automática do serviço militar.

Há diversos argumentos de ambos os lados, mas um dos argumentos mais interessantes (independentemente de se concordar ou não com ele) do lado que defende a dispensa automática é de que os charedim não devem ir ao exército para poderem se dedicar mais intensamente ao principal afazer de suas vidas, o estudo intensivo da Torá. E isso porque, ao estudar Torá, eles supostamente executam, de alguma maneira, uma importante função espiritual para o povo e para o país. Muitos chegam a afirmar que o sucesso de Israel em outras áreas (inclusive o próprio Exército) se devem à bênção divina devido ao mérito desses estudiosos.

Esse, obviamente, é um argumento que pode ser questionado de diversas maneiras, mas há, de qualquer forma, um embasamento teórico-histórico interessante em prol dele. Trata-se do acordo estabelecido, na época bíblica, entre as tribos de Issachar e Zevulun, no qual a tribo de Zevulun trabalhava para sustentar ambas financeiramente e a tribo de Issachar estudava Torá para sustentar ambas espiritualmente, numa espécie de cooperação em que os méritos eram divididos entre as duas tribos. Essa cooperação se baseia na bênção dada por Moshe a essas duas tribos juntas, que está escrita na parashá Vezot Habrachá: “Alegra-te, Zevulun, em teu sair (representando o trabalho) e Issachar, em tuas tendas (representando o estudo)” (Devarim 33:18).

Baseados nesse acordo entre Issachar e Zevulun, muitos afirmam que, hoje em dia, em Israel, algo semelhante pode acontecer. As tarefas podem ser dividas; nem todos precisam fazer a mesma coisa, no caso, o Exército, mas, se todos cooperarem, cada um fazendo o que faz bem, um terá sucesso pelos méritos do outro e vice-versa e o país terá paz e tranquilidade. Dessa maneira, os charedim contribuiriam com o Estado como Issachar, por meio do mérito de seu estudo, e outros grupos sociais, como Zevulun, por meio de seu serviço militar. E tudo estaria bem.

Sabemos, entretanto que, salvo algumas exceções, não é isso que acontece. Primeiramente, não está tudo bem porque essa não uma solução que agrada todos os lados. A grande maioria da população não-charedi não está de acordo com isso, não vê nenhuma importância do estudo de Torá dos charedim para o povo ou para o Estado e, muito menos, trabalha, luta ou serve o Exército pensando em proteger os estudiosos. Muitos charedim, também, não vêm em seu estudo uma forma de cooperar nem com o Estado de Israel nem com a sociedade israelense de maneira geral, que consideram como algo errado e pecaminoso. Ou seja, de maneira geral, Zevulun não trabalha pensando em sustentar Issachar e Issachar também não estuda pensando em proteger Zevulun com seus méritos.

Quer dizer, a coisa dessa maneira não vai bem. Cria-se, ao invés da cooperação, uma profunda inimizade entre os grupos, gerando desunião do povo e uma forte tensão social, algo prejudicial em todos os sentidos, tanto para cada grupo individualmente como para a nação de maneira geral. Como vencer esse grande problema é, acredito, o maior desafio contemporâneo de Israel e do povo judeu como um todo. E a festa de sukot nos traz uma ideia muito interessante nesse sentido, por meio da mitsvá dos arba’at haminim [quatro espécies].

Essa curiosa mitsvá consiste simplesmente no seguinte: durante todos os dias (exceto shabat) da festa de sukót (que começa, por sinal, nesta quarta à noite e vai até a próxima quarta), cada pessoa deve pegar uma cidra [etrog], uma folha de tamareira [lulav], três ramos de mirta [hadas] e dois ramos de salgueiro [aravá], unir as quatro espécies e, shoin, é isso!

Por mais estranha e sem sentido que essa mitsvá de simplesmente pegar um punhado de plantinhas durante uma época específica do ano possa parecer, há uma explicação simbólica muito interessante que associa cada vegetal a um tipo de judeu, de acordo com suas características ao paladar e ao olfato: a cidra [etrog], fruta cítrica muito cheirosa e saborosa está ligada ao judeu que cumpre as mitsvót e estuda a Torá, entendendo o que faz; a folha de tamareira [lulav], que não tem cheiro, mas cujos frutos, as tâmaras, têm um sabor muito doce e forte, representa o judeu que não tem a característica externa (cheiro) de praticar as mitzvót, mas estuda a Torá e a compreende internamente (gosto); a mirta [hadas], erva muito cheirosa mas sem gosto nenhum, representa exatamente o contrário, o judeu que cumpre as mitsvót, mas não estuda a Torá nem compreende o que faz; e, finalmente, mas não menos importante, as folhas de salgueiro [aravá], que não têm nem cheiro nem gosto, simbolizam o judeu que não cumpre as mitsvót nem estuda a Torá.

Bom, mas essa explicação parece não só não explicar nada, como também trazer uma outra ideia aparentemente sem sentido! Se o ideal da Torá é que todos se dediquem ao seu estudo e ao seu cumprimento, porque seria necessário, para cumprir a mitsvá, utilizar espécies que representam tipos incompletos? Quer dizer, se o etrog em si já representa esse ideal completo, como podem os outros elementos, aparentemente inferiores, completá-lo de alguma maneira?

Se alguém está achando que eu vou dar a resposta para essa pergunta, se enganou, porque eu realmente não sei. Mas o que é importante, na verdade, é que essa pergunta seja feita. Isto é, é importante que cada judeu, sentindo-se representado não importa por qual das espécies, possa se perguntar e buscar para si respostas sobre como os outros tipos podem, de alguma maneira, completá-lo.

Se cada judeu, seja ele um etrog, um lulav, um hadas ou um arava, seja ele charedi ou não, ashkenazi ou sefaradi, religioso ou secular, ortodoxo, reformista ou conservador, se ele for capaz de se fazer essa pergunta de como ele pode completar e ser completado pelos outros tipos, estará dando o primeiro passo no sentido de vencer o nosso grande desafio contemporâneo da desunião.

Se cada um de nós souber se enxergar no lugar de uma espécie incompleta, poderemos nos unir e transformar nossas diferenças que nos fazem brigar e nos odiarmos uns aos outros em motivos para fazermos acordos, cooperações e alianças e vivermos em paz e ajuda mútua, verdadeiramente como Issachar e Zevulun. Chag sameach!

David Rosenberg Krausz