domingo, 21 de setembro de 2014

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SHANA TOVÁ UMETUKÁ!!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh Hashaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Haazinu / 5775
(21 a 27 de setembro de 2014)




Roberto Bedricow iniciou o estudo da parashá Haazinu destacando que, segundo Rabino Amiel, é um poema que resume toda a história dos hebreus. Moisés lembra em Haazinu que através das palavras criaram-se céus e terra em Bereshit.
 

Uma das frases mais belas diz que a doutrina de Deus goteja, e Roberto Bedricow observa que a teologia não vem em um dilúvio, como o "beit" inicial a partir do qual se desenrola toda a Torá, mas através de um gotejamento que dá a vida. O respeito ao nome de Deus e às relações entre seres humanos, e entre estes e Deus, também é citada em Haazinu.
 

É preciso lembrar os fatos, os mandamentos, o Deus provedor no deserto e na liberdade. Não se deve esquecer a aliança, o compromisso que gera deveres e consequências. Também é lembrado por Moisés o poder da vida e da morte que vem de Deus.
 

Nessa parashá ressalta-se que Deus vinga e consola tanto os hebreus, como a terra de Israel. É uma mesma relação com os seres humanos e o planeta. Por fim, a última instrução de Moisés é aplicar o coração, aqui entendido como a mente, a razão. Após a leitura de todo o livro, em um resumo poético, recebemos a recomendação de pensar sobre o conteúdo da Tora e depois pratica-lo, e não apenas cumprir automaticamente as palavras literais.
 

Ioshua ben Nun, destaca Roberto Bedricow, representa aquilo que contém uma mensagem além do sentido literal, pois os ‘nekudot’ (pontos de vocalização) e as letras nun como parênteses que aparecem na Torá sempre sinalizam que o texto destacado deve ser lido de outra forma, ou seja, aplicar seu coração para ler a mensagem em sua essência e não apenas em seu sentido literal.


A última palavra da Torá é Israel, a última letra ‘lamed’, que ligada ao ‘beit’ inicial de Bereshit, ao começo, forma a palavra ‘Lev’, o coração. Roberto Bedricow conclui que essa mensagem subjetiva nos diz que precisamos nos aplicar a compreender as palavras e repassá-las a nossos filhos, transmitir a Torá, atualizando-a com o resultado dos estudos deste texto.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 2 de setembro de 2013.
 
 

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHIOT DA SEMANA: Nitzavim e Vaielech / 5774
(14 a 20 de setembro de 2014)



 

Ao iniciarmos o estudo das parashiot Nitzavim e Vaielech, Zhuvi Zitman nos explicou que este trecho da Torá sempre é lido pouco antes de Rosh Hashaná, e iniciou uma análise do texto para demonstrar as relações com as Grandes Festas judaicas. A palavra hebraica 'nitzavim' pode ser traduzida para o português como 'perante', 'na presença'. Nesta parashá Moshê descreve que todo o povo hebreu estava perante Deus na última oportunidade de estarem todos juntos, antes de entrarem na Terra Prometida e se dispersarem pelas diversas regiões de Canaã. Nós também, em Rosh Hashaná e Iom Kipur estaremos todos juntos diante de Deus, por todo o Mundo. 'Vaielech', por sua vez, significa em português 'e vai', e nas Grandes Festas, todos os judeus vão às sinagogas.


Rosh Hashaná é comemorado em dois dias de festas, mesmo em Israel. Uma das razões para isso, é ter certeza que que as pessoas conseguissem chegar ao Templo em Jerusalém e - atualmente - venham às sinagogas, para estar presente Deus. Este é um motivo de ordem física, material.

Outra explicação observa que também Deus precisa de dois dias para avaliar a humanidade, já que em Rosh Hashaná as pessoas e seus atos são avaliados, para serem inscritas no "Livro da Vida". No primeiro dia de Rosh Hashaná, que nossos sábios equiparam ao sexto dia da criação, quando Deus fez o ser humano, Ele julga e inscreve os nomes; no segundo dia Deus reflete sobre suas conclusões. Este é um motivo teológico para a razão desta festa durar dois dias.

Entre Rosh Hashaná e Iom Kipur passam-se sete dias, chamados de 'iamim noraim' - dias terríveis. Zhuvi Zitman observou que sete dias foi o ciclo temporal necessário para o mundo ser criado (seis dias), para Deus descansar (sétimo dia), e avaliar o resultado de Sua obra (oitavo dia). Assim, após igual período de tempo, em Iom Kipur tradicionalmente se diz que é selado o "Livro da Vida", ou seja, seu conteúdo está encerrado. Para a humanidade, estes sete dias são o momento que nos é concedido para avaliarmos nossos atos, adquirirmos consciência de nossos erros e poder pedir perdão a Deus em Iom Kipur, quando é feito o pedido coletivo de perdão.

A reflexão, o diálogo com Deus, o reconhecimento do erro são caminhos para se chegar ao perdão. É essencial, no entanto, para que este processo se complete, que: a) seja formulado expressamente e claramente o pedido de perdão, b) que os danos sejam reparados na medida do possível, e c) que haja uma real intenção em não repetir o pecado.

O jejum nos auxilia nesse processo na medida em que, ao nos afastarmos das rotinas e necessidades mundanas, estamos fisicamente voltados apenas para Deus, concentrados apenas no pedido de perdão e na reparação. Alguns entendimentos também afirmam que o jejum em si mesmo é uma forma de penitência física, pessoal, para reparar os erros do último ano.

As pessoas que não podem jejuar por questões de saúde têm que ter uma consciência em dobro para poder manter a concentração em Iom Kipur. Apesar das aparências, para quem quer vivenciar plenamente o Iom Kipur isso é mais difícil sem o jejum, dificulta a conexão com Deus necessária neste dia.

Já os cabalistas dizem que durante o dia de Iom Kipur Deus está ausente, afastado de nós, só retornando no final do dia, quando é tocado o shofar. Por isso, este é um momento místico, único no ano.

Após Iom Kipur, decorrem cinco dias para Sucot, para nos lembrar os cinco livros da Torá (Bereshit, Shemot, Vaicrá, Bamidbar e Devarim). Segundo os cabalitas, na verdade o veredicto final de Deus é dado em Sucot, ao invés de Iom Kipur. Essa interpretação decorre do fato de Sucot ser comemorado em 15 de Tishrei, número que em hebraico é escrito como gl, letras que equivalem ao nome de Deus. Apesar do verdicto Divino, o julgamento ainda não é definitivo.

Sucot marca a troca do temor pela alegria, no meio do mês, a após sete dias, em 22 de Tishrei, comemoramos Hoshana Raba. Zhuvi Zitman explicou que 22 equivale às letras do alfabeto hebraico, que, acredita-se, têm significados cósmicos e são essenciais na criação, na manutenção e para a compreensão do Mundo. Os cabalistas crêem que nesta data é que ocorre a confirmação definitiva do "Livro da Vida", após Deus julgar as pessoas sob temor e também sob alegria, e só então dar o veredicto definitivo.

O dia seguinte a Hoshna Raba é Shemini Atzeret, data na qual o Templo era lavado e purificado para o novo começo marcado por Simchat Torá, quando no mesmo dia são lidos o último e o primeiro trecho da Torá, a morte de Moshê e a criação do Mundo.

Assim, Zhuvi Zitman encerrou sua palestra resumindo que o espírito dos raguim, festas que vivenciaremos nas próximas semanas é estar perante Deus, 'nitzavim lifnei Adonai'. Durante estes dias nos purificaremos, elevaremos e reiniciaremos o ciclo da vida, que é como uma espiral pois o ser humano está sempre evoluindo.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 7 de setembro de 2007.



domingo, 7 de setembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Ki Tavô / 5774
(7 a 13 de setembro de 2014)



A tradição judaica, explica o Rabino Ruben Sternschein procura relações entre os nomes das parashiot. Ki Tavô é relacionada a Ki Tetzê (lida na semana passada), pois uma diz "ao saires" à guerra, e outra "ao entrares/voltares para casa". Como está escrito em Cohelet: há um momento para expandir e outro para recolher, épocas de intensa vivência externa e épocas de introspecção. Esta dinâmica acontece muitas vezes ao longo da vida e seria o vínculo entre os nomes destas duas parashiot.

Todo o livro de Devarim trata em grande parte de como se deve comportar quando se é a maioria e se é o dono da terra, ou se detém o poder prevalecente numa nação. Esta forma de se relacionar é saudável e permite a criação de uma sociedade ética, com respeito e tolerância ao outro que é diferente.

Não se deve acostumar aos bens, deve-se lembrar de quando não se tinha terra, nem frutos, nem bençãos. Na parashá há inclusive uma declaração expressa que deve ser dita antes de usufruir dos frutos, um mandamento que engloba um ato público de gratidão, de comprometimento, de renovação da aliança em nome próprio. Alguns comentaristas afirmam que é uma forma de se apropriar da História, de adquirir consciência sobre direitos e deveres, de escapar do comodismo.

É destacada também a importância de se reconhecer, de identificar-se. Fala-se para si próprio, para se ouvir dizendo determinadas frases que ajudam nas decisões, já que a fala é fundamental para adquirir consciência.

Outro aspecto é a importância de dividir os bens que temos, principal função dos 'bicurim'. O sentido dos bens que temos, e perdemos, e transformamos, não são os objetos em si, mas a oportunidade que nos dão de observamos como nos relacionamos com eles, como somos e o que fazemos com os bens que possuímos.

Ovadia, um convertido, recebeu uma resposta de Maimônides sobre as tefilot que fazem referências a antepassados hebreus, se deviam ser ditas pelos judeus cujos pais não eram judeus. A resposta, concluiu o Rabino Ruben Sternschein, é que o convertido adota toda a história judaica, e da mesma forma o passado o adota, razão pela qual deve sim recitar as tefilot que fazem referência aos antepassados judeus.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 24 de agosto de 2013.

 

domingo, 31 de agosto de 2014

Nessa Semana: Cabalat Shabat em 5 de setembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Ki Tetsê / 5774
(31 de agosto a 5 de setembro de 2014)



A parashá Ki Tetsê, explica o Rabino Michael Leipziger, tem dezenas de mitzvot, grande parte é relativa ao direito de família, às relações humanas, e ainda existem cinco mitzvot especificamente destinadas a animais, além de outro grupo de leis ligadas às relações econômicas. O ponto em comum entre estas leis é que em sua parte final explicam as consequências que ocorrem caso sejam cumpridas: eliminar a maldade, manter a santidade da terra, prolongar os dias de vida.

Entre as mitzvot da parashá Ki Tetsê também foi destacado pelo Rabino Michael Leipziger um objetivo comum: promover o senso de Justiça, promover a sensibilidade humana e o respeito à dignidade dos outros seres.

Um trecho destacado para demonstrar esta conclusão é o primeiro mandamento da parashá, relativo ao tratamento dado à mulher capturada durante uma guerra. Esta é uma questão ainda atual, pois é grave o problema dos estupros durante os conflitos militares, tanto de mulheres dos inimigos, quanto da facção do próprio soldado violentador.

Outra importância do estudo desta mitzvá é nos remeter a estudar o conteúdo integral da Torá, mesmo que nos pareça que determinado trecho está ultrapassado, ou não tenha relação com nossa realidade. Como neste caso, já que durante centenas de anos, desde a queda do Segundo Templo até 1947, não houve guerras dos judeus como uma nação. Sobre este período, o Rabino Michael Leipziger citou Nahum Norbert Glatzer, que em seu livro Geschichte der talmudischen Zeit  afirmou que os judeus não fizeram História neste período, suportaram a História. No entanto, após o renascimento do Estado de Israel, este mandamento voltou a se tornar concreto para forças armadas compostas predominantemente por judeus.

Por outro lado, também não se deve esquecer que as instruções da Torá não são literalmente apenas para judeus que vivam na região da Terra Prometida. São mandamentos para serem estudados, observados e cumpridos por todos os tempos, em todos os lugares, e por todos. Neste sentido amplo, o rabino Michael Lepziger destacou que na guerra prevalecem os instintos animalescos do ser humano de forma desenfreada, onde matar é inclusive permitido - e até necessário. Neste contexto, a Torá coloca limites a estes instintos. O Rabino Samuel Dresden diz que no Judaísmo os instintos não são enfrentados com sua supressão ou repressão, nem os tornando sagrados, como em outras culturas que pendulam entre estes dois extremos. No Judaísmo, concluiu o Rabino Michael, busca-se controlar os instintos para usá-los de forma a enobrecer o ser humano.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 11 de setembro de 2011.










 
 

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 5 de setembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Shofetim / 5774
(24 a 30 de agosto de 2014)



Celso Zilbovicius explicou que esta é uma parashá essencialmente política, que tem por temas centrais o sistema judicial dos hebreus, as regras a serem seguidas pelo líder do povo e as regras para a guerra.
Quando logo no início da parashá se fala em 'mishpat tzedek' ('sentença justa'), o comando não é para haver uma justiça que aplique a lei, que profira sentenças/mishpatim técnicas. O comando Divino é para que a sentença seja justa, isto é, equânime. Esta é a justiça sobre a qual fala a Torá, uma justiça que é concretizada no Mundo físico, aplicada aos homens pelos homens, mas a serviço do projeto de Deus para o Mundo.
Assim, a primeira vez que é escrita a palavra tzedek ('justiça'), esta pode se referir à justiça ideal - encontrada na Lei. A repetição da palavra tzedek na expressão "tzedek, tzedek tirdof" encontrada nessa parashá, se refere à justiça ideal, equilibrada com a realidade, que busca a concretização do ideal sem perder de vista a condição humana.
Celso Zilbovicius observa que a parashá Shofetim é construída demonstrando a existência de dois planos de existência, os quais têm justiças complementares, e destacou os seguintes elementos:
- shofetim/juízes - shotrim/guardas;
- tzedek/justiça - mishpat/sentença ;
- justiça abstrata - sentença concreta;
- justiça homen/Deus - justiça homem/homem;
- processo interno - processo externo.
Este processo interno de avaliação e aperfeiçoamento de nossas ações em busca da justiça em seu sentido Divino, é realçado no atual mês de Elul, que antecede Rosh HaShaná. Assim, a expressão 'tzedek, tzedek' também pode ser interpretada como a dualidade entre a justiça a serviço de algo superior e o exercício do livre arbítrio em busca da harmonia, do equilíbrio, da equidade.
A procura pela aplicação conjunta desses dois planos de justiça tem por objetivo  atingir a redenção do Mundo, através de 'tikum olam' (aperfeiçoamento do universo). Isso, porque apenas a justiça espiritual não é suficiente para o equilíbrio nas relações humanas e com Deus. Por outro lado, Deus não aceita se relacionar com um humanidade que não tenha justiça nas relações entre homem e homem. Por isso, neste mês que antecede a data de lembrança da criação do Mundo, o dia da trombeta/shofar, devemos meditar com maior ênfase em nossas ações passadas, fazendo um autojulgamento equilibrado, tendo em vista as duas forças, os dois planos que nos são ensinados em Shofetim.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 19 de agosto de 2007.

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 5 de setembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Reê / 5774
(17 a 23 de agosto de 2014)


A primeira palavra da parashá, Reê, significa 'veja'. É Deus dirigindo-se a cada pessoa, no singular. Assim, a tradução literal da primeira frase da parashá seria: "Veja, que ponho diante de vocês hoje a benção e a maldição". Rachel Reichhardt observou que Deus está se dirigindo a cada hebreu em particular, não para o povo como um todo, ou para Moshê individualmente, como é mais comum na Torá.
Comumente, na Torá, Deus 'fala', Deus 'diz'. Mas na parashá Reê Ele determina que se 'veja'. O órgão receptor das comunicações Divinas deixa de ser os ouvidos e passa a ser os olhos. Rachel explicou que são referências simbólicas, pois bençãos e maldições não são concretas, visíveis, mas são perfeitamente captáveis e compreensíveis pelo intelecto humano. Por isso, quando Deus fala 'veja', a mensagem é 'perceba a realidade', tenha a 'capacidade de constatar' a dimensão do pacto firmado no Sinai e as consequências que dele advém.
O 'brit'/pacto é como um contrato social, mas por que Deus precisa fazer um pacto com o ser humano? Por causa do livre arbítrio. A humanidade é independente, e se Deus quer nos orientar em determinado caminho, depende de nossa concordância, de nossa participação, de nosso comprometimento. Por isso Ele diz 'reê'/veja para um ser que tem capacidade de compreender e de decidir se cumpre ou não as mitzvot.
As bençãos e maldições que decorrem do pacto com Deus são colocadas como aspectos iguais e simultâneos quando se utiliza 'e' no lugar de 'ou'. Isso significa que o ser humano é responsável por determinar qual dessas características será determinante na sua relação com Deus. Se for possível 'enxergar' Deus e as possibilidades dos ensinamentos que foram transmitidos no Sinai, vai ser fácil identificar e diferenciar o que é benção do que é maldição.
Como Rachel lembrou, bençãos e maldições fazem parte da vida, mas no contato com Deus, a incapacidade de vê-Lo também é uma maldição. Para poder decidir que caminho seguir, antes o ser humano tem que conseguir 'ver' Deus. Esse encontro tem que ocorrer antes do povo chegar à Canaã, pois lá é que terão plena liberdade para escolher, quando não dependerão mais do alimento e da proteção fornecidos por Deus no deserto.
É determinado que, na entrada na Terra Prometida, sejam destacados dois montes para simbolizar a benção (Guerizim) e a maldição (Ebal). O objetivo é estabelecer limites entre essas duas características, que muitas vezes se confundem num mesmo fato. São limites que buscam proteger a identidade judaica, constante preocupação nesta parashá. Por fim, contatou-se que a advertência nuclear em Reê é de que se a identidade judaica for perdida, virão as maldições.
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 12 de agosto de 2007.

domingo, 10 de agosto de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 5 de setembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Ekev / 5774
(10 a 16 de agosto de 2014)



A parashá Ekev descreve os fatos positivos que ocorreriam aos hebreus em consequência do cumprimento das 'sentenças' - mishpatim, e dos 'mandamentos' - mitzvot. Neste trecho da Torá, Moshê explica que Deus determinou que os hebreus passassem quarenta anos do deserto, após o episódio dos espiões, para saber o que 'estava' no coração do povo, se guardariam ou não os 'preceitos' - mitzvot recebidos no Sinai.

Em seguida vem o ensinamento de que, para viver, o homem precisa mais do que pão, mas também daquilo 'que sai da boca do Eterno'. É imediata a interpretação de que o ser humano precisa tanto de alimento material como espiritual. Também é uma relação com a parashá Bereshit, a primeira da Torá, de onde aprendemos que a alma do homem foi insuflada em seu corpo feito de pó pela boca de Deus.

Em Ekev é explicado que Deus tem uma relação com a humanidade igual àquela entre pais e filhos. Assim, são feitas advertências sobre as consequências negativas que advirão caso o povo deixe de cumprir os mandamentos, caso esqueça Deus e comece a pensar que as conquistas ocorreram exclusivamente por seu mérito e força.

Em outro trecho interessante, Moshê afirma que as primeiras tábuas com os dez mandamentos foram escritas pelo 'dedo' de Deus. É confirmada a participação ativa de Aharon na confecção do bezerro de ouro e ressaltada a 'teimosia' dos hebreus, ou seja, o constante exercício de seu livre arbítrio. Observe-se que diversos trechos da oração Shemá são retirados dessa parashá.

Uma mensagem constantemente repetida em Ekev é o apoio de Deus aos hebreus nas guerras contra os habitantes de Canaã. Apesar de serem em menor número, menores em altura, e não contarem com infraestrutura alguma, os hebreus seriam vitoriosos na conquista da Terra Prometida, pois sua força viria da 'mão forte' de Deus (Devarim, 7:17-23; 9:1-3; 11:23).

Esta mensagem também é encontrada na haftará que acompanha a leitura de Ekev, extraída das profecias de Isaías. No trecho dessa semana, primeiro se ressalta que o próprio Deus livrará o povo judeu de seus opressores. Depois, o profeta proclama sua convicção de que Deus protegerá os filhos de Israel, uma vez que eles seguem Seus mandamentos. O final da haftará contém uma mensagem de esperança para aqueles que buscam a justiça - tzedek.

Voltando à parashá, é descrito o conceito Divino de Justiça (Devarim, 10:17-19):

- não deixar de castigar os pecadores,

- não aceitar suborno,

- conceder e tornar efetiva proteção aos desamparados,

- não discriminar outros povos.

Em resumo, por todo o texto de Ekev há um contexto geral no qual o ser humano aprende que deve ser humilde, que deve combater o impulso imaturo de se achar melhor, superior e independente em relação às outras pessoas e à Deus.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 5 de agosto de 2007.