terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Próximo Cabalat Shabat em 30 de janeiro de 2015, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Cabalat Shabat em 20 de fevereiro de 2015




PARASHÁ DA SEMANA: Shemot / 5775

 

José se tornou um adulto realista, capaz de administrar o reino mais poderoso e rico de sua época. A liderança dos hebreus no segundo livro da Torá é conferida a Moisés.

 
Em Shemot, explica André Roemer, temos uma visão panoramica dos filhos de Iaacov, que se tornaram muito numerosos no Egito. Uma nova dinastia de faraós teme a força dos hebreus e a possibilidade de eles se aliarem a estrangeiros invasores.

Os hebreus já tinham uma relação de servidão com o faraó, como era comum naquela época. Os servos não tinham liberdade para sair do Egito, eram obrigados a trabalhar e a pagar tributos para o faraó.

O que desequilibrou o comodismo e incentivou a ideia de revolta foi o grande aumento da carga tributária, o trabalho excessivo, a agressão física aos chefes hebreus, culminando com a determinação de afogamentos dos meninos recém-nascidos.

A revolta se inicia pelo ventre, com as parteiras recusando-se a cumprir as ordens do faraó, e com as mulheres hebreias, que mantiveram os maridos incentivados a manter relações sexuais e a continuar a gerar filhos.

Quando Ioheved colocou Moisés no Nilo, optou pelo incerto, pelas possibilidades indefinidas que eram melhores do que a certa morte prematura. O futuro incerto, concluiu André Roemer, foi o que, paradoxalmente, conferiu as condições que permitiram a Moisés e aos hebreus retomarem o controle de seu destino, a readquirirem a liberdade.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 20 de janeiro de 2014.  
 

 

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 30 de janeiro de 2015, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Cabalat Shabat em 20 de fevereiro de 2015




PARASHÁ DA SEMANA: Vaiechi / 5775


domingo, 14 de dezembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 30 de janeiro de 2015, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Chanuká: 16 de dezembro de 2014
Cabalat Shabat em 20 de fevereiro de 2015




PARASHÁ DA SEMANA: Miketz / 5775

 

Danilo Waismann explicou que Iossef passou a ser chamado de tzadik após resistir ao assédio da esposa de Potifar, o egípcio que o comprou como servo. Por isso, foi jogado na prisão injustamente por doze anos. Aí ele conheceu o copeiro e o padeiro do faraó, também encarcerados.

Foram presos pois o copeiro serviu uma taça de vinho ao faraó com uma mosca, e o padeiro serviu pão com um palito no meio da massa. Teoricamente o copeiro cometeu um erro maior, pois ele teria mais controle para evitar o problema, apesar disso, ele foi poupado e o padeiro morto.

Iossef conseguiu interpretar o sonho do copeiro, porque uma ave não come alimentos que estejam na cabeça de uma pessoa viva, por medo. Assim, se as aves estavam comendo o pão na cesta na cabeça do padeiro, é porque ele estaria morto.

O midrash conta que o padeiro e o copeiro se odiavam, e um colocou a mosca no copo do faraó, e o outro o palito na massa do pão, como quem colocou a mosca - o ato mais grave - foi o padeiro, ele recebeu a punição mais grave. Este é um exemplo de 'sinat hinam', de ódio gratuito, relatado pela Torá.

O copeiro, ao se lembrar de Iossef depois de sair da prisão, se referiu a ele como 'hebreu', o que é interpretado pela tradição judaica como um exemplo de antissemitismo. O faraó, porém, reconheceu que nas palavras de Iossef havia a presença de Deus. O midrash explica que o faraó foi alertado de que os hebreus eram contra a escravidão. Então o faraó tentou assimilar Iossef, mudou suas roupas, lhe deu uma esposa egípcia, e mudou seu nome.

Apesar disso, concluiu Danilo Waismann, Menashe e Efraim – filhos de Iossef -, se mantiveram fiéis a Deus no meio de uma cultura idólatra. Mantiveram o mesmo nível de espiritualidade de seu pai, apesar de serem de uma geração posterior; foram os únicos netos de Iaacov a darem origem a duas tribos; e foram os primeiros irmãos da Torá a não terem divergências e conflitos, a terem amor gratuito no lugar do ‘sinat hinam’.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 25 de novembro de 2013.  

domingo, 23 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 5 de dezembro de 2014, às 19h15min!


Para colaborar financeiramente com o nosso kidush aperte no link abaixo:


Datas para Agendar:
Chanuká de 16 a 24 de dezembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Vaietsê / 5775


Dorian Grey negociou com Deus a juventude eterna no famoso romance de Oscar Wilde. Antes, Fausto, de Goethe, vende sua alma ao diabo a fim de ganhar conquistas e imortalidade. E antes ainda, no livro bíblico de Jó, é o próprio diabo que negocia com Deus a integridade de Jó.


É possível negociar com Deus? O que poderia ser oferecido a Ele uma vez que possui tudo e não tem necessidades de nenhum tipo? E qual seria o significado de semelhante ação?


Tevye, o leiteiro de Scholem Aleichem, não chega a negociar, mas quase propõe a Deus que, por pelo menos uma vez, outros povos sejam os escolhidos para que, nós, os judeus, soframos menos.
  
Várias semanas atrás, lemos a famosa negociação de Abraão com Deus em prol da salvação da cidade de Sodoma –  se Abraão achasse lá cinquenta pessoas justas, a cidade inteira seria salva da destruição que merecia por tanta corrupção e insensibilidade.

Nenhum dos casos mencionados especifica claramente o que é entregue a Deus em troca do que é obtido. Menos ainda explica-se porque Deus aceitaria a negociação (com exceção da história de Abraão, na qual a justiça estaria em jogo, a credibilidade na justiça divina, bem como a integridade, no caso de Jó).

Na parashá da semana, o patriarca Jacó negocia com Deus e oferece algo inaceitável por qualquer parceiro de negociação: “de tudo que me der, devolverei um dízimo”. Nada mais. Simplesmente um décimo do que Deus desse a Jacó seria oferecido de volta a Deus, e o restante, 90%, ficaria com Jacó!

O mais inacreditável, além da própria negociação com Deus e da oferta inaceitável de retorno de apenas um décimo, é que Deus aceita essas condições.

Uma frase talmúdica sugere que tudo poderá estar nas mãos de Deus, menos a vontade humana. A vontade seria totalmente livre ou guardaria alguma liberdade absoluta. No mínimo. Por isso, a única coisa que Deus não teria seria o controle sobre a vontade humana. Desse modo, a única coisa que o homem poderia oferecer a Deus seria sua vontade de oferecer algo. Fosse um dizimo, um cêntimo ou um milésimo de si. A quantidade, como o objeto em si, seria menos importante. O valor estaria na disposição a dar, na vontade de querer dar. Ou melhor, dar a vontade, no duplo sentido da expressão: ‘dar à vontade’ e ‘dar a vontade humana em si’.

A parashá estaria propondo que não é tão importante o que temos, e sim o que fazemos com o que temos, ou como temos o que temos. Como somos a partir do que temos. Seja a respeito de bens materiais, emocionais, sociais, físicos ou espirituais.

Que possamos valorizar o que temos e acrescentar valor ao que somos através do que fazemos com o que temos.  Se o que mais possuímos, de verdade, é a nossa vontade, que saibamos usar a liberdade de nossa vontade para querer o verdadeiramente melhor.

Rabino Ruben Sternschein

Congregação Israelita Paulista de 5 de novembro de 2013. 

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Cabalat Shabat nesta sexta-feira, 14 de novembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Último Cabalat Shabat de 2014 em 5 de dezembro de 2014



Teremos um Cabalat Shabat emocionante, com os jovens chazanim Gabriel Kalman, Matheus Ajzenberg e Paula Bortman Rozenchan, os jovens músicos Ana Kagan (violino), Julia Kagan (violoncelo), Michel Barzilay (derbak) e Rodrigo Lukower (violoncelo), e a especial participação de Kelly Barzilay no kidush!


domingo, 9 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 14 de novembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Último Cabalat Shabat de 2014 em 5 de dezembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Chaiê Sará / 5775

 
O Rabino Ruben Sternschein observa que a parashá Chaiê Sará tem vários assuntos. De início destaca-se a questão da contagem dos anos de vida de Sará, que é adequada ao hebraico bíblico, mas torna-se incomum pela repetição dos anos, citando 100, 20 e 7; o que permitiu aos sábios desenvolverem belos midrashim. Rashi, por exemplo, diz que aos cem anos Sara tinha a força de uma jovem de vinte e aos vinte tinha a pureza de uma menina de sete anos.

Outros leem nessa repetição dos anos e das vidas uma mensagem de que existem anos em que vivemos mais do que em outros. A maior parte da vida de uma pessoa não fica registrada, e é permeada por poucos momentos plenos, sublimes, significativos. No caso de Sara, ela viveu significativamente todos os dias de sua vida, e tinha registro, lembrança e consciência de todos eles.

Em seguida ao falecimento de Sara, a Torá relata a insistência de Abraão em pagar pela gruta de Machpela para enterrar sua esposa, mesmo a um custo alto. O objetivo foi garantir o direito à terra mesmo para gerações futuras, bem como vincular as gerações futuras à terra. Também foi uma forma de honrar Sara, demonstrando o grande apreço que Abraão tinha por ela. Por outro lado, concluiu o Rabino Ruben Sternschein, se Abraão tivesse aceitado a gruta como doação, ou por um preço muito baixo, ele ficaria devedor de Efrom, por tempo indeterminado. Além disso, a autoimagem de Abraão seria desvalorizada, pois era um homem que se esforçava para conquistar tudo o que tinha.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 21 de outubro de 2013.
 
 
 
 


 
 

domingo, 2 de novembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 14 de novembro de 2014, às 19h15min!



PARASHÁ DA SEMANA: Vaierá / 5775

O início da parashá Vaiera conta como Avraham foi visitado por três homens, que na verdade eram três anjos enviados por Deus em missão à Terra. A tarefa de um deles era confirmar a Avraham e Sarah que eles teriam um filho, apesar de sua idade avançada. A missão dos outros dois era destruir a região das cidades de Sodoma e Gomorra.
O interessante é que Deus decide compartilhar com Avraham sua decisão de destruir as cidades. Ele permite que Avraham saiba de sua decisão por considerar que nosso patriarca era homem fiel, que ensinaria a seus filhos a agir conforme as ações de Deus, para fazer tzedaká e proferir julgamentos (mishpatim).
Ao contar a Avraham qual a tarefa dos dois anjos, Deus permite o início de um diálogo no qual Avraham tenta modificar o decreto Divino caso também vivessem pessoas justas nas cidades. A 'negociação' começa com 50 pessoas, e sempre Deus concorda com Avraham. Por fim, Avraham se satisfaz em que as cidades sejam perdoadas caso se encontrem 10 justos nelas.
Um midrash compara Noach, Avraham e Moshe no seguinte sentido: Noach não seria tão justo como Avraham, pois aceitou passivamente a decisão de Deus de destruir todas a humanidade, com exceção de sua família. Avraham, por sua vez, seria menos justo do que Moshê, pois não defendeu o povo de Sodoma e Gomorra em sua integralidade, independentemente de seus pecados, como depois foi feito por Moshê diversas vezes no percurso dos hebreus pelo Sinai.
Observamos porém, que a aparente preocupação de Avraham com a população de Sodoma e Gomorra talvez também estivesse na tentativa de salvar sua família, como Noach. É possível fundamentar esta interpretação quando contamos que em Sodoma moravam Lot, sua esposa, duas filhas solteiras e pelo menos mais duas filhas casadas, seus maridos e filhos (Bereshit, 19:12, 19:14 e 19:15), o que soma ao menos dez pessoas.
Antes que as cidades fossem destruídas, Lot ainda conseguiu salvar o povo da pequena aldeia de Tsôar. Após a calamidade, e a morte da esposa de Lot, suas duas filhas virgens pensam que novamente toda a humanidade sucumbiu à ira Divina e decidem embriagá-lo e ter relações sexuais com o pai. Dessas relações nascera, Moav e Amon, que darão origem a dois povos que os hebreus encontrarão ao retornar a Canaã.
Avraham, ao ver a destruição de Sodoma e Gomorra, decide se mudar para o sul durante a gravidez de Sarah. Abrigam-se nas terras do rei Abimelech, que era um profeta temente a Deus, e segundo Suas palavras: justo e sincero. Sendo este mais um trecho da Torá que nos relata como Deus tem contato com toda a humanidade, não apenas com os hebreus.
O nascimento de Itzchak aumenta as tensões entre Sarah e Hagar e Ishmael, que é um adolescente por volta de 15 anos de idade. Nesta parashá a Torá nos relata pela última vez um ato de Sarah em vida: pedir a expulsão da escrava e do filho primogênito de Avraham para preservar a herança de seu filho.
Em Vaierá Deus pede a Avraham que se afaste de seus dois filhos. Ele promete que vai cuidar de Ishmael, e lemos que "esteve Deus com o menino" (Bereshit, 21:20). Quanto a Itzchak, Deus pede que ele lhe seja oferecido em sacrifício, mas por mais de uma vez chama o filho de Sarah como "o único filho de Avraham" (Bereshit, 22:2, 22:12 e 22:16).
Nossos sábios discutem qual seria a idade de Itzchak no episódio do sacrifício. Para alguns seria um adolescente, já que tinha capacidade de carregar um feixe de lenhas e já tinha discernimento para questionar o pai sobre quem seria sacrificado. Para outros, Itzchak já seria um home de 37 anos de idade, pois relacionam a 'akedat' à morte de Sarah, relatada logo em seguida, quando ela tinha 127 anos de idade.
Em Vaierá encontramos Deus se relacionando com a humanidade através de diálogos. Antes de castigar, Ele oferece a oportunidade de se corrigir o erro, apesar de quando castiga, ainda é com ferocidade, com total destruição. Enquanto nas primeiras parashiot de Bereshit o propósito dos castigos e destruições Divinas é meramente afastar, extirpar, o ser humano que não age de acordo com os propósitos de Deus. A partir de Vaierá é dada á humanidade a possibilidade de redimir-se - como lemos no episódio de Avimelech. Parece que Ele está avaliando os limites de sua criação, especialmente na sua relação com Avraham, como demonstra o pedido de que Ishmael seja expulso e Itzchak seja sacrificado.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 16 de novembro de 2008.