segunda-feira, 13 de outubro de 2014

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CHAG SAMEACH !!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Shemini Atzeret em 16 de outubro de 2014
Simchá Torá em 17 de outubro de 2014


PARASHÁ DA SEMANA: Bereshit / 5775

 
A primeira palavra da Torá é Bereshit - 'um princípio'. Segundo a interpretação do sábio Rashi, conforme explicou Zhuvi Zitman, essa expressão indica que a criação do Mundo não seguiu uma ordem cronológica. Nesse sentido, a expressão 'dia' não se refere ao tempo como nós o conhecemos, decorrente da movimentação dos astros e planetas, que ainda não existiam. O 'dia' da Torá refere-se a um tempo imaterial, indefinível, que foi o critério utilizado por Deus para organizar o caos.
 
A primeira criação de Deus relatada pela Torá foram 'os céus', que refere-se a todo o Universo, do qual já são conhecidas por nossos cientistas dez outras galáxias. A criação da 'terra' não se refere apenas a nosso planeta, mas a todos os corpos concretos que existem em todo o Universo.
 
Interessante observar que as 'águas' não foram criadas, o que permite concluir que elas já existiam antes dessa descrição bíblica. Zhuvi Zitman  observou que as moléculas de água estão ao mesmo tempo em todos os lugares, mesmo que em quantidades ínfimas, da mesma forma que a presença Divina, cuja presença se move 'sobre a face das águas', explicando a onipresença de Deus. Dessa passagem também aprendemos que da mesma forma como a água é essencial à vida, Deus é inerente à existência dos seres vivos.
 
Em seguida, através de sua fala, Deus cria a luz. Esta luz não é a emissão energética que provém do sol, das estrelas, da lua ou de outros astros, pois eles seriam criados apenas no quarto dia. A primeira luz criada por Deus é a luz espiritual, que envolve completamente a criação, atingindo todos os seres - conforme sua capacidade de absorção - em todos os momentos da existência.
 
As águas foram dividadas em dois ambientes: nos céus e nos corpos celestes. Nestes corpos elas foram agrupadas e concentradas nos 'mares', destacando-se o 'elemento seco', nomeado 'terra'. Essa descrição explica como foi formado nosso planeta e também todos os outros sóis e planetas do Universo.
 
Com isso, estavam criadas as condições para o desenvolvimento da vida. As ervas, árvores, sementes e frutas surgem da terra. É a criação gerando criação. Esta criação será governada pelos astros criados no quarto dia: sol, lua, estrelas. A vida dependerá do calor do sol e estará submetida aos ciclos desses elementos que regulam as marés, a fotossíntese. Nosso planeta, a natureza, foram criados como parte de um sistema maior, numa cadeia de elementos que dependem dos anteriores e, no caso da Terra, da qual depende a vida que aqui existe.
 
Os répteis, as aves e os peixes - que possuem alma -, foram criados a partir das águas. As aves, em hebraico, são poeticamente chamada de 'asas', e desde o início são divididas em aves marinhas e terrestres. A primeira benção da Torá é dada por Deus a estes seres: "frutificai e multiplicai".
 
No sexto dia foram criados os demais seres terrestres, neste caso não mais a partir da água, mas 'produzidos' pela terra. Nesta primeira descrição bíblica da criação, o ser humano foi criado macho e fêmea, sem maiores detalhes, que serão explicados em seguida. A humanidade foi criada para reinar sobre os animais, e também foi abençoada. No conceito Divino, esta criação foi "muito boa".
 
Rashi explica que os seres humanos foram criados à imagem e semelhança de Deus em seus aspectos espirituais, através daquela primeira luz criada no segundo dia. Mas não somos parecidos a Ele nem na forma, nem em nossa configuração.
 
O ser humano, de um ponto de vista antropológico, necessita acreditar que há um princípio para tudo, razão pela qual a narrativa inicial da Torá é tão importante e textos semelhantes são encontrados em todas as culturas. A Torá é um livro sobre a história da humanidade, não sobre a história de Deus, é a história do ser humano de acordo com a expressão da vontade Divina.
 
Por fim, no sétimo dia, Deus criou o Shabat, para se recompor das atividades anteriores, para descansar, para apreciar a criação, demonstrando que também Ele atua em períodos cíclicos. É tradição judaica não fazermos pedidos a Deus durante o Shabat, para respeitar Seu descanso.
 
Após este descanso, Deus assoprou seu espírito no homem e criou a chuva, para possibilitar a criação ininterrupta da vida. Com isso se inícia uma nova narrativa, da história de Adam e Eva no Éden, a partir de onde vai continuar o relato bíblico que iremos estudar neste novo ciclo.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 7 de outubro de 2007.
 
 
 

domingo, 5 de outubro de 2014

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CHAG SUCOT SAMEACH !!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Sucot em 9 de outubro de 2014

SUCOT: AFINAL, OS ULTRA ORTODOXOS DEVEM IR PARA O EXÉRCITO? – UMA LEITURA SOBRE SUCOT E A DESUNIÃO DO POVO JUDEU.

Um dos debates mais “quentes” e polêmicos em Israel hoje é quanto à obrigatoriedade de todos os habitantes do país servirem o exército, em especial certos grupos de charedim [ultra ortodoxos] que, historicamente, têm uma dispensa automática do serviço militar.

Há diversos argumentos de ambos os lados, mas um dos argumentos mais interessantes (independentemente de se concordar ou não com ele) do lado que defende a dispensa automática é de que os charedim não devem ir ao exército para poderem se dedicar mais intensamente ao principal afazer de suas vidas, o estudo intensivo da Torá. E isso porque, ao estudar Torá, eles supostamente executam, de alguma maneira, uma importante função espiritual para o povo e para o país. Muitos chegam a afirmar que o sucesso de Israel em outras áreas (inclusive o próprio Exército) se devem à bênção divina devido ao mérito desses estudiosos.

Esse, obviamente, é um argumento que pode ser questionado de diversas maneiras, mas há, de qualquer forma, um embasamento teórico-histórico interessante em prol dele. Trata-se do acordo estabelecido, na época bíblica, entre as tribos de Issachar e Zevulun, no qual a tribo de Zevulun trabalhava para sustentar ambas financeiramente e a tribo de Issachar estudava Torá para sustentar ambas espiritualmente, numa espécie de cooperação em que os méritos eram divididos entre as duas tribos. Essa cooperação se baseia na bênção dada por Moshe a essas duas tribos juntas, que está escrita na parashá Vezot Habrachá: “Alegra-te, Zevulun, em teu sair (representando o trabalho) e Issachar, em tuas tendas (representando o estudo)” (Devarim 33:18).

Baseados nesse acordo entre Issachar e Zevulun, muitos afirmam que, hoje em dia, em Israel, algo semelhante pode acontecer. As tarefas podem ser dividas; nem todos precisam fazer a mesma coisa, no caso, o Exército, mas, se todos cooperarem, cada um fazendo o que faz bem, um terá sucesso pelos méritos do outro e vice-versa e o país terá paz e tranquilidade. Dessa maneira, os charedim contribuiriam com o Estado como Issachar, por meio do mérito de seu estudo, e outros grupos sociais, como Zevulun, por meio de seu serviço militar. E tudo estaria bem.

Sabemos, entretanto que, salvo algumas exceções, não é isso que acontece. Primeiramente, não está tudo bem porque essa não uma solução que agrada todos os lados. A grande maioria da população não-charedi não está de acordo com isso, não vê nenhuma importância do estudo de Torá dos charedim para o povo ou para o Estado e, muito menos, trabalha, luta ou serve o Exército pensando em proteger os estudiosos. Muitos charedim, também, não vêm em seu estudo uma forma de cooperar nem com o Estado de Israel nem com a sociedade israelense de maneira geral, que consideram como algo errado e pecaminoso. Ou seja, de maneira geral, Zevulun não trabalha pensando em sustentar Issachar e Issachar também não estuda pensando em proteger Zevulun com seus méritos.

Quer dizer, a coisa dessa maneira não vai bem. Cria-se, ao invés da cooperação, uma profunda inimizade entre os grupos, gerando desunião do povo e uma forte tensão social, algo prejudicial em todos os sentidos, tanto para cada grupo individualmente como para a nação de maneira geral. Como vencer esse grande problema é, acredito, o maior desafio contemporâneo de Israel e do povo judeu como um todo. E a festa de sukot nos traz uma ideia muito interessante nesse sentido, por meio da mitsvá dos arba’at haminim [quatro espécies].

Essa curiosa mitsvá consiste simplesmente no seguinte: durante todos os dias (exceto shabat) da festa de sukót (que começa, por sinal, nesta quarta à noite e vai até a próxima quarta), cada pessoa deve pegar uma cidra [etrog], uma folha de tamareira [lulav], três ramos de mirta [hadas] e dois ramos de salgueiro [aravá], unir as quatro espécies e, shoin, é isso!

Por mais estranha e sem sentido que essa mitsvá de simplesmente pegar um punhado de plantinhas durante uma época específica do ano possa parecer, há uma explicação simbólica muito interessante que associa cada vegetal a um tipo de judeu, de acordo com suas características ao paladar e ao olfato: a cidra [etrog], fruta cítrica muito cheirosa e saborosa está ligada ao judeu que cumpre as mitsvót e estuda a Torá, entendendo o que faz; a folha de tamareira [lulav], que não tem cheiro, mas cujos frutos, as tâmaras, têm um sabor muito doce e forte, representa o judeu que não tem a característica externa (cheiro) de praticar as mitzvót, mas estuda a Torá e a compreende internamente (gosto); a mirta [hadas], erva muito cheirosa mas sem gosto nenhum, representa exatamente o contrário, o judeu que cumpre as mitsvót, mas não estuda a Torá nem compreende o que faz; e, finalmente, mas não menos importante, as folhas de salgueiro [aravá], que não têm nem cheiro nem gosto, simbolizam o judeu que não cumpre as mitsvót nem estuda a Torá.

Bom, mas essa explicação parece não só não explicar nada, como também trazer uma outra ideia aparentemente sem sentido! Se o ideal da Torá é que todos se dediquem ao seu estudo e ao seu cumprimento, porque seria necessário, para cumprir a mitsvá, utilizar espécies que representam tipos incompletos? Quer dizer, se o etrog em si já representa esse ideal completo, como podem os outros elementos, aparentemente inferiores, completá-lo de alguma maneira?

Se alguém está achando que eu vou dar a resposta para essa pergunta, se enganou, porque eu realmente não sei. Mas o que é importante, na verdade, é que essa pergunta seja feita. Isto é, é importante que cada judeu, sentindo-se representado não importa por qual das espécies, possa se perguntar e buscar para si respostas sobre como os outros tipos podem, de alguma maneira, completá-lo.

Se cada judeu, seja ele um etrog, um lulav, um hadas ou um arava, seja ele charedi ou não, ashkenazi ou sefaradi, religioso ou secular, ortodoxo, reformista ou conservador, se ele for capaz de se fazer essa pergunta de como ele pode completar e ser completado pelos outros tipos, estará dando o primeiro passo no sentido de vencer o nosso grande desafio contemporâneo da desunião.

Se cada um de nós souber se enxergar no lugar de uma espécie incompleta, poderemos nos unir e transformar nossas diferenças que nos fazem brigar e nos odiarmos uns aos outros em motivos para fazermos acordos, cooperações e alianças e vivermos em paz e ajuda mútua, verdadeiramente como Issachar e Zevulun. Chag sameach!

David Rosenberg Krausz

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

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CHATIMÁ TOVÁ !!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Iom Kipur em 4 de outubro de 2014

domingo, 21 de setembro de 2014

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SHANA TOVÁ UMETUKÁ!!!!!!
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Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh Hashaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Haazinu / 5775
(21 a 27 de setembro de 2014)




Roberto Bedricow iniciou o estudo da parashá Haazinu destacando que, segundo Rabino Amiel, é um poema que resume toda a história dos hebreus. Moisés lembra em Haazinu que através das palavras criaram-se céus e terra em Bereshit.
 

Uma das frases mais belas diz que a doutrina de Deus goteja, e Roberto Bedricow observa que a teologia não vem em um dilúvio, como o "beit" inicial a partir do qual se desenrola toda a Torá, mas através de um gotejamento que dá a vida. O respeito ao nome de Deus e às relações entre seres humanos, e entre estes e Deus, também é citada em Haazinu.
 

É preciso lembrar os fatos, os mandamentos, o Deus provedor no deserto e na liberdade. Não se deve esquecer a aliança, o compromisso que gera deveres e consequências. Também é lembrado por Moisés o poder da vida e da morte que vem de Deus.
 

Nessa parashá ressalta-se que Deus vinga e consola tanto os hebreus, como a terra de Israel. É uma mesma relação com os seres humanos e o planeta. Por fim, a última instrução de Moisés é aplicar o coração, aqui entendido como a mente, a razão. Após a leitura de todo o livro, em um resumo poético, recebemos a recomendação de pensar sobre o conteúdo da Tora e depois pratica-lo, e não apenas cumprir automaticamente as palavras literais.
 

Ioshua ben Nun, destaca Roberto Bedricow, representa aquilo que contém uma mensagem além do sentido literal, pois os ‘nekudot’ (pontos de vocalização) e as letras nun como parênteses que aparecem na Torá sempre sinalizam que o texto destacado deve ser lido de outra forma, ou seja, aplicar seu coração para ler a mensagem em sua essência e não apenas em seu sentido literal.


A última palavra da Torá é Israel, a última letra ‘lamed’, que ligada ao ‘beit’ inicial de Bereshit, ao começo, forma a palavra ‘Lev’, o coração. Roberto Bedricow conclui que essa mensagem subjetiva nos diz que precisamos nos aplicar a compreender as palavras e repassá-las a nossos filhos, transmitir a Torá, atualizando-a com o resultado dos estudos deste texto.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 2 de setembro de 2013.
 
 

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHIOT DA SEMANA: Nitzavim e Vaielech / 5774
(14 a 20 de setembro de 2014)



 

Ao iniciarmos o estudo das parashiot Nitzavim e Vaielech, Zhuvi Zitman nos explicou que este trecho da Torá sempre é lido pouco antes de Rosh Hashaná, e iniciou uma análise do texto para demonstrar as relações com as Grandes Festas judaicas. A palavra hebraica 'nitzavim' pode ser traduzida para o português como 'perante', 'na presença'. Nesta parashá Moshê descreve que todo o povo hebreu estava perante Deus na última oportunidade de estarem todos juntos, antes de entrarem na Terra Prometida e se dispersarem pelas diversas regiões de Canaã. Nós também, em Rosh Hashaná e Iom Kipur estaremos todos juntos diante de Deus, por todo o Mundo. 'Vaielech', por sua vez, significa em português 'e vai', e nas Grandes Festas, todos os judeus vão às sinagogas.


Rosh Hashaná é comemorado em dois dias de festas, mesmo em Israel. Uma das razões para isso, é ter certeza que que as pessoas conseguissem chegar ao Templo em Jerusalém e - atualmente - venham às sinagogas, para estar presente Deus. Este é um motivo de ordem física, material.

Outra explicação observa que também Deus precisa de dois dias para avaliar a humanidade, já que em Rosh Hashaná as pessoas e seus atos são avaliados, para serem inscritas no "Livro da Vida". No primeiro dia de Rosh Hashaná, que nossos sábios equiparam ao sexto dia da criação, quando Deus fez o ser humano, Ele julga e inscreve os nomes; no segundo dia Deus reflete sobre suas conclusões. Este é um motivo teológico para a razão desta festa durar dois dias.

Entre Rosh Hashaná e Iom Kipur passam-se sete dias, chamados de 'iamim noraim' - dias terríveis. Zhuvi Zitman observou que sete dias foi o ciclo temporal necessário para o mundo ser criado (seis dias), para Deus descansar (sétimo dia), e avaliar o resultado de Sua obra (oitavo dia). Assim, após igual período de tempo, em Iom Kipur tradicionalmente se diz que é selado o "Livro da Vida", ou seja, seu conteúdo está encerrado. Para a humanidade, estes sete dias são o momento que nos é concedido para avaliarmos nossos atos, adquirirmos consciência de nossos erros e poder pedir perdão a Deus em Iom Kipur, quando é feito o pedido coletivo de perdão.

A reflexão, o diálogo com Deus, o reconhecimento do erro são caminhos para se chegar ao perdão. É essencial, no entanto, para que este processo se complete, que: a) seja formulado expressamente e claramente o pedido de perdão, b) que os danos sejam reparados na medida do possível, e c) que haja uma real intenção em não repetir o pecado.

O jejum nos auxilia nesse processo na medida em que, ao nos afastarmos das rotinas e necessidades mundanas, estamos fisicamente voltados apenas para Deus, concentrados apenas no pedido de perdão e na reparação. Alguns entendimentos também afirmam que o jejum em si mesmo é uma forma de penitência física, pessoal, para reparar os erros do último ano.

As pessoas que não podem jejuar por questões de saúde têm que ter uma consciência em dobro para poder manter a concentração em Iom Kipur. Apesar das aparências, para quem quer vivenciar plenamente o Iom Kipur isso é mais difícil sem o jejum, dificulta a conexão com Deus necessária neste dia.

Já os cabalistas dizem que durante o dia de Iom Kipur Deus está ausente, afastado de nós, só retornando no final do dia, quando é tocado o shofar. Por isso, este é um momento místico, único no ano.

Após Iom Kipur, decorrem cinco dias para Sucot, para nos lembrar os cinco livros da Torá (Bereshit, Shemot, Vaicrá, Bamidbar e Devarim). Segundo os cabalitas, na verdade o veredicto final de Deus é dado em Sucot, ao invés de Iom Kipur. Essa interpretação decorre do fato de Sucot ser comemorado em 15 de Tishrei, número que em hebraico é escrito como gl, letras que equivalem ao nome de Deus. Apesar do verdicto Divino, o julgamento ainda não é definitivo.

Sucot marca a troca do temor pela alegria, no meio do mês, a após sete dias, em 22 de Tishrei, comemoramos Hoshana Raba. Zhuvi Zitman explicou que 22 equivale às letras do alfabeto hebraico, que, acredita-se, têm significados cósmicos e são essenciais na criação, na manutenção e para a compreensão do Mundo. Os cabalistas crêem que nesta data é que ocorre a confirmação definitiva do "Livro da Vida", após Deus julgar as pessoas sob temor e também sob alegria, e só então dar o veredicto definitivo.

O dia seguinte a Hoshna Raba é Shemini Atzeret, data na qual o Templo era lavado e purificado para o novo começo marcado por Simchat Torá, quando no mesmo dia são lidos o último e o primeiro trecho da Torá, a morte de Moshê e a criação do Mundo.

Assim, Zhuvi Zitman encerrou sua palestra resumindo que o espírito dos raguim, festas que vivenciaremos nas próximas semanas é estar perante Deus, 'nitzavim lifnei Adonai'. Durante estes dias nos purificaremos, elevaremos e reiniciaremos o ciclo da vida, que é como uma espiral pois o ser humano está sempre evoluindo.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 7 de setembro de 2007.



domingo, 7 de setembro de 2014

Próximo Cabalat Shabat em 24 de outubro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Ki Tavô / 5774
(7 a 13 de setembro de 2014)



A tradição judaica, explica o Rabino Ruben Sternschein procura relações entre os nomes das parashiot. Ki Tavô é relacionada a Ki Tetzê (lida na semana passada), pois uma diz "ao saires" à guerra, e outra "ao entrares/voltares para casa". Como está escrito em Cohelet: há um momento para expandir e outro para recolher, épocas de intensa vivência externa e épocas de introspecção. Esta dinâmica acontece muitas vezes ao longo da vida e seria o vínculo entre os nomes destas duas parashiot.

Todo o livro de Devarim trata em grande parte de como se deve comportar quando se é a maioria e se é o dono da terra, ou se detém o poder prevalecente numa nação. Esta forma de se relacionar é saudável e permite a criação de uma sociedade ética, com respeito e tolerância ao outro que é diferente.

Não se deve acostumar aos bens, deve-se lembrar de quando não se tinha terra, nem frutos, nem bençãos. Na parashá há inclusive uma declaração expressa que deve ser dita antes de usufruir dos frutos, um mandamento que engloba um ato público de gratidão, de comprometimento, de renovação da aliança em nome próprio. Alguns comentaristas afirmam que é uma forma de se apropriar da História, de adquirir consciência sobre direitos e deveres, de escapar do comodismo.

É destacada também a importância de se reconhecer, de identificar-se. Fala-se para si próprio, para se ouvir dizendo determinadas frases que ajudam nas decisões, já que a fala é fundamental para adquirir consciência.

Outro aspecto é a importância de dividir os bens que temos, principal função dos 'bicurim'. O sentido dos bens que temos, e perdemos, e transformamos, não são os objetos em si, mas a oportunidade que nos dão de observamos como nos relacionamos com eles, como somos e o que fazemos com os bens que possuímos.

Ovadia, um convertido, recebeu uma resposta de Maimônides sobre as tefilot que fazem referências a antepassados hebreus, se deviam ser ditas pelos judeus cujos pais não eram judeus. A resposta, concluiu o Rabino Ruben Sternschein, é que o convertido adota toda a história judaica, e da mesma forma o passado o adota, razão pela qual deve sim recitar as tefilot que fazem referência aos antepassados judeus.
 
Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 24 de agosto de 2013.

 

domingo, 31 de agosto de 2014

Nessa Semana: Cabalat Shabat em 5 de setembro de 2014, às 19h15min!


Datas para Agendar:
Rosh HaShaná em 25 de setembro de 2014



PARASHÁ DA SEMANA: Ki Tetsê / 5774
(31 de agosto a 5 de setembro de 2014)



A parashá Ki Tetsê, explica o Rabino Michael Leipziger, tem dezenas de mitzvot, grande parte é relativa ao direito de família, às relações humanas, e ainda existem cinco mitzvot especificamente destinadas a animais, além de outro grupo de leis ligadas às relações econômicas. O ponto em comum entre estas leis é que em sua parte final explicam as consequências que ocorrem caso sejam cumpridas: eliminar a maldade, manter a santidade da terra, prolongar os dias de vida.

Entre as mitzvot da parashá Ki Tetsê também foi destacado pelo Rabino Michael Leipziger um objetivo comum: promover o senso de Justiça, promover a sensibilidade humana e o respeito à dignidade dos outros seres.

Um trecho destacado para demonstrar esta conclusão é o primeiro mandamento da parashá, relativo ao tratamento dado à mulher capturada durante uma guerra. Esta é uma questão ainda atual, pois é grave o problema dos estupros durante os conflitos militares, tanto de mulheres dos inimigos, quanto da facção do próprio soldado violentador.

Outra importância do estudo desta mitzvá é nos remeter a estudar o conteúdo integral da Torá, mesmo que nos pareça que determinado trecho está ultrapassado, ou não tenha relação com nossa realidade. Como neste caso, já que durante centenas de anos, desde a queda do Segundo Templo até 1947, não houve guerras dos judeus como uma nação. Sobre este período, o Rabino Michael Leipziger citou Nahum Norbert Glatzer, que em seu livro Geschichte der talmudischen Zeit  afirmou que os judeus não fizeram História neste período, suportaram a História. No entanto, após o renascimento do Estado de Israel, este mandamento voltou a se tornar concreto para forças armadas compostas predominantemente por judeus.

Por outro lado, também não se deve esquecer que as instruções da Torá não são literalmente apenas para judeus que vivam na região da Terra Prometida. São mandamentos para serem estudados, observados e cumpridos por todos os tempos, em todos os lugares, e por todos. Neste sentido amplo, o rabino Michael Lepziger destacou que na guerra prevalecem os instintos animalescos do ser humano de forma desenfreada, onde matar é inclusive permitido - e até necessário. Neste contexto, a Torá coloca limites a estes instintos. O Rabino Samuel Dresden diz que no Judaísmo os instintos não são enfrentados com sua supressão ou repressão, nem os tornando sagrados, como em outras culturas que pendulam entre estes dois extremos. No Judaísmo, concluiu o Rabino Michael, busca-se controlar os instintos para usá-los de forma a enobrecer o ser humano.

Resumo do encontro do Grupo de Estudos da Parashá da Congregação Israelita Paulista de 11 de setembro de 2011.